
A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), por meio da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e Adolescente (Depca), prendeu, na quarta-feira (25/10), Danielle da Silva Neves, 20, pela morte e tortura do próprio sobrinho, uma criança de 2 anos. A prisão ocorreu no bairro Nossa Senhora das Graças, zona centro-sul.
Durante coletiva de imprensa realizada na sede da Delegacia Geral, o delegado Alessandro Albino, diretor do Departamento de Polícia Metropolitano (DPM), destacou o empenho da equipe de investigação da Depca, coordenada pela delegada Joyce Coelho, em efetuar a prisão desta infratora.
“Estamos aqui para apresentar mais um caso de grande repercussão, envolvendo um crime intrafamiliar que resultou na morte de uma criança de 2 anos. Quero enfatizar que ficamos satisfeitos quando nossos colegas policiais conseguem colocar na cadeia pessoas que cometeram atos bárbaros. De agora em diante, esperamos que a justiça seja feita e que os criminosos sejam devidamente punidos”, disse.
Conforme a delegada Joyce Coelho, titular da Depca, na manhã desta quinta-feira (26/10), foi feita uma acareação no sistema prisional entre os dois envolvidos no crime, a fim de concluir o Inquérito Policial (IP). Ao ficarem frente a frente, os infratores imputaram a culpa um ao outro.
“É inegável que ambos praticaram, em algum momento, as agressões à vítima. Não foram agressões isoladas, não foi um fato isolado, pois o laudo de necropsia da criança identificou diversas lesões corporais, antigas e recentes, e uma isquemia cerebral. Ou seja, durante os três meses que a vítima ficou no convívio da dupla, ela foi constantemente agredida”, falou.
Ainda segundo a delegada, inicialmente, foi solicitada a prisão temporária de ambos os envolvidos, entretanto, apenas a do indivíduo foi deferida pelo Poder Judiciário. Então, no dia 9 de outubro ele foi preso pelos policiais civis da Depca.
“Continuamos a solicitar a prisão temporária da mulher para que pudéssemos colocá-los frente a frente, e apurar as circunstâncias do fato como um todo. Ontem obtivemos êxito em prendê-la, na data de hoje diligenciamos na penitenciária e os ouvimos ao mesmo tempo, e iremos concluir o Inquérito Policial com o indiciamento dos dois, já que eles eram os responsáveis pela criança”, explicou.
De acordo com a titular, finalizando o prazo das prisões temporárias, o procedimento será entregue ao Ministério Público do Amazonas (MPAM) a fim de que seja analisado, e os criminosos sejam responsabilizados pelo ato criminoso.
Versões do fato
Joyce contou que a infratora admitiu, em depoimento, que as marcas de unha – encontradas na vítima – seriam dela, momento em que ela agarrou no pescoço da vítima na tentativa de esganá-lo. Mas ela direciona a culpa das agressões que vitimou o seu sobrinho ao companheiro.
“Ela relata que no dia 4 de outubro, o homem teria chegado em casa e se aborrecido pelo fato da criança ter feito as necessidades fisiológicas no chão do imóvel. Em razão das agressões, a criança começou a ter febre e teria convulsionado no dia 5 de outubro, e a partir dali não teria acordado mais”, disse.
Já o companheiro dela, segundo a delegada, desde o primeiro momento, negou qualquer tipo de agressão e imputa a culpa à mulher. Ele teria alegado que constantemente via marcas e hematomas na criança, mas não teria presenciado nenhuma das agressões e sabia que a responsável seria a tia.
“Ele contou, ainda, que no dia 5 de outubro chegou na residência e a criança já estava desmaiada, portanto, não teria presenciado as atitudes que ocasionaram tal fato. Ele teria, inclusive, acionado a própria família para levar a vítima ao Hospital e Pronto-Socorro (HPS) Platão Araújo”, disse.
Ainda de acordo com a titular, mesmo sofrendo com as agressões constantes, em nenhum momento a criança foi levada para atendimento médico. Ao serem questionados, os infratores confirmaram a informação e disseram que um dos motivos, teria sido o fato da vítima não ter documentos.
“É notória uma negligência familiar de todos os lados da família desta criança. Se trata de uma família totalmente desestruturada. A genitora foi ouvida, nos informou que desde os 12 anos é usuária de drogas, tendo, inclusive, problemas visíveis com entorpecentes. Ela não aparentou qualquer sentimento em relação a perda do filho”, salientou.
Joyce enfatizou que todos os fatos foram narrados no Inquérito Policial, para que o Ministério Público possa responsabilizar outros possíveis corresponsáveis neste caso, sobretudo na questão da negligência.
Proteção às crianças
A delegada reforçou que é importante que terceiros denunciem casos de tortura envolvendo crianças, pois se trata de um público vulnerável que não consegue verbalizar sozinho o que está acontecendo.
“Recebemos, pela manhã, a denúncia de um bebê de 11 meses que teve os dedos amputados, vítima de tortura. Já estamos em diligência em torno deste caso, iremos ouvir os responsáveis e apurar as circunstâncias”, contou.
Procedimentos
A dupla responderá por tortura com resultado morte e ficarão à disposição da Justiça.
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