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A história de Panchi-kun, o Punch, o macaquinho-japonês agarrado ao seu terrritório de conforto, um orangotango de pelúcia da Ikea, dado pelos tratadores do Zoológico de Ichikawa, no Japão, para facilitar sua socialização no grupo dos macacos, viralizou no mundo inteiro, não pela teoria que o humanos e macacos compartilham um ancestral comum e são primatas, ou porque o Viny Júnior sofreu racismo, viralizou porque em algum momento da nossa vida, fomos o Punch. Na escola, na praça, na festa, no shopping, em casa ou no emprego. Já sofremos solidão, rejeição, bullyng e medo.
Mas como que um macaquinho de sete meses com centímetros de tamanho consegue se agigantar, abraçar e fazer sofrer o planeta terra, a ponto de um derrame de lágrimas alcançar milhões de olhares lacrimejantes a cada vídeo dele sendo maltratado pela tribo, e diminuindo em proporção os sete mares do mapa mundi? Não sei, mas imagino, porque todos nós que acompanhamos a história dele gostaríamos de se transformar no orangotango laranja de pelúcia, encher os macacões que batiam e mordiam, Punch, de porrada e puxar o rabo.
Punch, encolhido entre a aridez e dureza da pedra do zoológico, e a maciez da pelúcia do amigo mudo, porém, empático, saiu abrindo de forma cirúrgica as feridas e cicatrizes dos apelidos, surras, rejeições de beijos nunca dados, cartas nunca lidas e carinho jamais recebido, sem sair do Japão. Rodou o mundo. Uma indiana viu seu vídeo receber 7 milhões de visualizações só por mostrar a fila kilométrica no zoológico para ver Punch: _ perae, uma fila, o povo de costas, só anônimos? Mentira! A Vírgínia devia tá lá! Alguém do BTS? Algum famoso, claro! Não tinha famoso, só tinha Punch, ao som dos gritos da plateia a cada rejeição, a administração limitando o tempo de observação para que a fila andasse. O mundo comovido, celebridades e anônimos divulgando a história. O presidente da marca Ikea indo lá doar mais orangotangos laranjas, enquanto o produto já esgotava o estoque em todas as lojas do mundo.
A internet comovida e disposta a mudar a história para amenizar a dor real, criou memes, onde Punch orientado a se vingar pelo César do planeta dos macacos, kink kong, Karate Kid, Liga da Justiça e até Jesus Cristo apareceu em socorro do Punch.
Tudo isso por ser uma narrativa comovente de rejeição, solidão e, só depois, superação. Quando um macaco adulto resolveu que Punch não apanharia mais. E o primeiro abraço primitivo foi dado – paz na cabana – todos nós fomos abraçados juntos.
Há quem afirme que será roteiro de filme – não duvido. O roteiro nasceu pronto: o abandono e a pelúcia, o início triste, rejeitado por sua mãe, um fenômeno natural, porém cruel. O "Amigo" de pelúcia para aliviar a solidão e simular o conforto materno – dado pela equipe. A dificuldade de integração e o bullying, rejeitado e intimidado pelos outros filhotes e adultos. Ameaças: vídeos mostram Punch sendo arrastado por adultos gerando grande comoção internacional e preocupação com sua segurança. E o plot twist da virada: Punch acolhido por um macaco protetor, e o final feliz que a gente ama, ele já socializado brincando com outros filhotes e aceito pelo bando.
Maldosos já falaram: foi aceito porque a família dos macacos é interesseira e sabe que o Punch ficou famoso. Vamos ter mais fé na humanidade, né, todo mundo ama o Punch e o humor tá valendo. E sobre macaco ser ofensa, como no caso do futebol, sofrido por Viny Jr., fica também a reflexão da sombra: porque amam Punch e porque a cor da pele negra é sinônimo de ofensa, ser macaco, dói? Fora racistas! E que a coragem de Punch inspire todos nós, superando a rejeição, curando feridas e acreditando que o melhor da vida vai começar!

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