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O encontro do encontro

entre telas de celulares ou bares, vagantes sem lares buscam nos ares,   novos olhares

11/02/2026 às 08h36
Por: Redação
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O encontro do encontro

Seria hoje. A mulher e o homem não foram avisados, porque o coração, insensato -  batia sempre pelas pessoas erradas -  poderia por tudo a perder com sua adolescente ansiedade e cobranças antecipadas.

O encontro não cabia em si, transbordava pelas janelas do amanhecer 
do dia exato.


A mulher e o homem, seguiam sua rotina, mas por instinto, dividiam uma alegria indivisível com as coisas em volta. As atividades mais banais criaram uma aura mágica, como se os dois  estivessem consertando o mundo. Que agora, era de cristal e porcelana, precisando ser carinhosamente tratado.


O encontro, combinava com o tempo o arrastar das horas invejosas da vida humana. O tempo poderia esperar, um casal de amantes, nunca! Por isso pedia ao velho consumidor do mundo, horas extras do futuro, para compensar os dias escuros, que a separação inevitável do casal teria.
Os preparativos finais do encontro do encontro estavam sendo feitos pela senhora sincronia, que marcava os momentos que marcavam a vida dos humanos.


Passada a visita das horas fundamentais do dia, o encontro vestiu sua roupa de entardecer e foi ao céu arar as nuvens para o plantio de flores, e colher estrelas para plantar nos jardins do mundo. Para os olhos do casal, reservou candeias e cometas, que iluminassem com a paixão tudo que fosse visto pelo homem e a mulher. Pediu a lua, raios de quarto-crescente, assim o desejo ascenderia devagar, e quando lua cheia, os amantes estariam plenos para acender novas fogueiras. 


O homem andando com o seu desejo inconsciente dentro da agenda e do cachimbo caminhava pelo parque. A mulher trazia na bolsa algumas toneladas de saudade do que ainda não existia, mas sentia-se leve, por algum estranho motivo o peso da solidão da fumaça do cigarro não lhe oprimia, ao contrário, quase podia ser levada por ela. Caminhava no parque, mas as folhas secas pareciam trilha de nuvens que lhe guiavam para algum pedaço de céu terreno, tamanha a brecha de paz que abriam para seus pés.


O homem sentado no banco do parque via o dia escorrer pela fresta dos seus olhos de veludo e veneno. Olhos antigos, velhos, cansados por lembranças. Olhos que se fizeram criança na passagem de algo, que a mulher deixou cair dos saltos dos seus sapatos de edifícios altos, com janelas abertas por onde caminhavam os passos. Descortinadas pelo começo da noite.


O encontro, disfarçado de fonte e passarinho, matava a sede nas paredes dos minutos. Aves de desejo em revoada, abriram as asas transformado o parque na casa dos amantes, que esperaram eras pelas horas verdadeiras dos abraços. Distantes, fizeram-se perto, como se o antes de ontem jamais tivesse desfeito os laços. Eles não se conheciam, mas reza a profecia, que toda a humanidade já foi amante, ligada pela eternidade dos fios, que unem suas pontas para dar conta nos ciclos cármicos. Talvez por isso, nos procuramos tanto, nos amando através do outros, vivos ou mortos, mas sempre nos fazendo vigilantes do amor, mesmo nos caminhos mais errantes.


Eles não falaram nada – não se conheciam. Mas não era o desconhecido que movia toda a criação? Começaram a se tocar. Pronto! Descobriram que não eram mais estranhos. Foram além dos corpos e reentrâncias, numa necessidade antropófaga de ser um sendo dois. Ser todos, sem ser nenhum – a identidade se perde na igualdade da luta. Devoraram-se. Nesse ritual libertaram as almas, que peregrinas, migraram para dentro um do outro se procurando. Os corpos, receptáculos vazios, testemunharam o duelo etéreo no labirinto que cada um havia criado para si para que os outros se encontrassem. Procuraram-se, ávidos de vida, impávidos como os deuses diante da desordem dos nascimentos do mundo. Roupa e desejo espalharam-se pelo parque, consumando o mais antigo e primitivo ritual dos humanos. Até o tempo, tão desumano, parou e chamou Deus para testemunhar a recriação do mundo.


O encontro, desnudado, puxou os lençóis da madrugada para seu corpo saciado, aconchegou a paixão no travesseiro da aurora, e dormiu o sono dos justos . O casal, não sabia onde estivera esse tempo todo, para só agora ter se encontrado. Haviam nascido um para o outro só faltava alguém que lhes apresentassem na festa da vida. Ficarão juntos até a página final do livro do dia, que termina e deixa os personagens desempregados.

 

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SELMA MARIA MOURA COSTAHá 4 meses FortalezaMuito bom ! a Nossa realidade é repleta de bens imateriais como a saudade e a nostalgia ! parabéns Liduina!
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