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A arte de esperar

Quando o tempo parece uma cura

01/02/2026 às 07h27
Por: Redação
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A arte de esperar

 

“Quando estiver pronto para lutar e vencer a guerra, faça o inimigo esperar” 

Sun T’zu – A arte da guerra.
 
Quem pode esperar? O avião? A mãe? O passageiro? As horas nos presídios? A paz? A tumba vazia? O livro esquecido? 
Quem é o inimigo? O namorado no banco da praça, a caixa de correios sem postais, solitária com o advento da informática. O gelo esperando macular o whisky e seu anos de destilação. O espelho solitário no quarto que espera ganhar voz com nosso rosto. O ditador deposto. As estações e as luas, os ônibus nas ruas, o corpo por carícias, o vestido pela festa, as árvores pela serra elétrica, o ouro pelo garimpeiro, o ano velho por janeiro? 

Deixamos a espera com os inimigos que nos espreitam pelas demoras e comemoram na caixa de Pandora a hesitação das nossas horas – Desesperamos. 


Quem o inimigo espera? O corpo que cai, a gripe que chega, o amor que se vai, a anestesia passar, a louca voltar, o céu se abrir, a hóstia faltar, o sol declinar, a morte chegar. 


Não, espera o inimigo que a nossa espera seja tecida com a trama insuportável dos nossos fios, desafios de apassamanarias que nos cozeram no labirinto dos dramas. Uma trama tão caótica e engendrada que esquecemos contra quem devemos lutar e partimos suicidas a machucar nossa própria pele. Agora o inimigo só espera o momento de recolher o espólio. 


Fim do tempo para os oponentes, chegam ambos em campo marcado. Mal sabem eles - ganhamos a guerra ao contrário.
Matamos nossos inimigos com o acúmulo de inutilidades que colecionamos na vida. Os matamos de raiva e impotência por terem esperado tanto e dividimos para seu espanto sem glória uma carga envelhecida de emoções.


Os canhões transformaram-se em jarros enferrujados para acolher ervas daninhas e flores do mato. O pelotão conta formiguinhas. As bombas, grávidas, pariram passarinhos. Nós, os generais, enlouquecemos. Alguns juram ser gerânios e esperam no frio pela primavera. Outros, são apenas pedras sem sapatos. 
Eu, a mais louca pela espera, sou poeta, condenada a viver de emoções emprestadas. As vezes, com fome, até roubo de alguém esse alimento. Mas não é solução nem fim do tormento e na trilha pergunto ao tempo: o que move o vento? São teus cabelos ou o catavento que torna o momento lento na espera do encontro das esferas...
A espera doma a fera, doura a quimera ou acelera nossa primavera? Não espere por respostas,  faça acontecer no florescer interior. 

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