

A educação inclusiva ganha novas possibilidades quando o conhecimento ultrapassa as páginas dos livros e se transforma em instrumento de comunicação e cidadania. É essa a proposta da educadora e escritora Fabiana Ferreira, autora de Libras: Mãos que Falam, uma obra dedicada à difusão da Língua Brasileira de Sinais (Libras) e à construção de uma sociedade mais acessível.
Com uma abordagem didática e lúdica, o livro apresenta conteúdos fundamentais para quem deseja dar os primeiros passos no aprendizado da Libras. Entre os temas estão o alfabeto manual, os números, os dias da semana, as estações do ano e a conversação básica, além de informações sobre a origem da língua e a legislação relacionada à comunidade surda.
Mais do que um material de consulta, a publicação representa uma iniciativa de aproximação entre dois universos que precisam dialogar cada vez mais: o das pessoas surdas e o das pessoas ouvintes. A proposta é estimular a comunicação, despertar o interesse pela língua de sinais e contribuir para que a inclusão comece também nas relações cotidianas.
Da descoberta da Libras à produção literária
A história de Fabiana com a Língua Brasileira de Sinais começou em 2015, a partir de um convite feito por uma amiga para participar de um curso. O que inicialmente seria uma experiência de aprendizado acabou se transformando em um projeto de vida.
“Fui e fiquei encantada com as inúmeras possibilidades que Libras oferece. Concluí todas as etapas do curso e comecei minhas pesquisas para a elaboração da obra literária Libras Mãos que Falam”, conta a educadora.
A publicação nasceu, portanto, da experiência de formação e do desejo de compartilhar conhecimento. O resultado é um guia introdutório que procura tornar o primeiro contato com a língua de sinais mais acessível, oferecendo recursos para que leitores possam conhecer e experimentar novas formas de comunicação.
Feira do Sesc: oportunidade de compartilhar conhecimento
A participação na Feira de Livros do Sesc Amazonas representa mais um importante momento na trajetória da autora. Na edição de 2026, Fabiana integrou a programação com duas oficinas culturais de Libras, realizadas nos dias 29 de outubro e 1º de novembro, no Espaço Educador do Centro de Convenções Vasco Vasques.
Para a educadora, o convite representa o reconhecimento da importância de levar a língua de sinais a diferentes públicos.
“O convite para nossa participação com as oficinas de Libras nesta edição da Feira de Livros do Sesc gera uma enorme satisfação em poder divulgar a Língua Brasileira de Sinais para uma grande quantidade de pessoas que gostam do tema e sabem da importância da inclusão social”, destaca.
As oficinas proporcionaram aos participantes a oportunidade de conhecer aspectos da Libras e compreender como o aprendizado pode contribuir para relações sociais mais acessíveis.
A presença de Fabiana na feira também dá continuidade a um trabalho que já percorreu diferentes espaços culturais e educacionais, incluindo bienais literárias, instituições de ensino, encontros de escritores e projetos de incentivo à leitura.
Libras nas escolas: um caminho para uma sociedade mais inclusiva
Um dos desafios apontados pela autora é a falta de conhecimento da população em geral sobre a Língua Brasileira de Sinais. Para Fabiana, ampliar o acesso ao ensino da Libras é fundamental para aproximar a comunidade surda da sociedade e reduzir as barreiras de comunicação.
Ao falar sobre a possibilidade de incorporação da disciplina ao currículo escolar, a educadora demonstra otimismo com os avanços nessa direção.
“Já foi aprovado para que esta matéria torne-se curricular; creio que em 2028 começará a ser exigida e as instituições de ensino irão colocar em prática. Só no Amazonas temos mais de 100 mil surdos, segundo fontes do IBGE. Portanto, é imprescindível difundir este conhecimento. Desta forma, a comunidade surda terá a oportunidade de se sentir acolhida na sociedade”, afirma.
A declaração reforça a importância de iniciativas educacionais que estimulem o contato com a Libras desde os primeiros anos de formação, contribuindo para que crianças, jovens e adultos desenvolvam maior consciência sobre a diversidade linguística e a inclusão.
O que o leitor encontra em Mãos que Falam?
O livro Libras: Mãos que Falam foi concebido como um guia introdutório e lúdico, reunindo conhecimentos básicos para quem deseja começar a aprender a língua de sinais.
A obra aborda a origem da Libras, aspectos da legislação, datilologia (alfabeto manual), números, dias da semana, estações do ano e conversação básica, entre outros conteúdos relevantes.
“O objetivo é facilitar a comunicação e a inclusão entre pessoas ouvintes e surdas”, explica Fabiana.

A publicação também se destaca por sua proposta pedagógica, que permite utilizar o conteúdo em atividades educativas, no ambiente familiar e em experiências de aprendizagem coletiva.

Onde encontrar o livro
Para quem deseja conhecer a obra e iniciar o aprendizado da Língua Brasileira de Sinais, Libras: Mãos que Falam está disponível em diferentes canais de comercialização.
Em Manaus, os leitores podem encontrar o livro na Livraria Valler, editora da publicação, na Livraria Paulinas e também no Núcleo do Reforço.
A obra pode ser adquirida ainda pela Amazon e pelo Clube de Autores, com opções de acesso on-line.
Informações e encomendas:
Núcleo do Reforço – WhatsApp: (92) 99614-0373.
Instagram: @librasmaosquefalamoficial
Educação, literatura e transformação social
A trajetória de Fabiana Ferreira demonstra como a iniciativa de uma educadora pode ultrapassar os limites da sala de aula e alcançar diferentes espaços da sociedade.
Pedagoga, especialista em psicomotricidade e psicopedagogia e mestre pela Universidade Federal do Amazonas, a autora desenvolve projetos educacionais, oficinas e ações culturais voltadas à inclusão.
Sua atuação em projetos apoiados por políticas públicas de incentivo à cultura, além da participação em feiras literárias e eventos educativos, amplia o alcance de uma proposta que tem na comunicação seu principal instrumento de transformação.
Com Libras: Mãos que Falam, Fabiana convida o público a descobrir que aprender uma língua também significa abrir caminhos para o encontro, o respeito e a convivência.
Porque inclusão também começa com a disposição de aprender a falar com o outro — mesmo quando as palavras são expressas pelas mãos.
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