
A instituição do Dia Nacional do Físico foi debatida nesta segunda-feira (7) pela Comissão de Educação e Cultura (CE). Para os debatedores, a proposta que estabelece a data comemorativa contribuirá para conscientizar a população sobre a importância os biofísicos e inspirará os jovens a seguir carreiras na pesquisa científica. A realização da audiência pública atendeu a requerimento do senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP), relator do projeto ( PL 3.441/2021) que dedica aos físicos a data de 19 de maio.
Diretor do Instituto de Biofísica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Robson Coutinho Silva citou o médico e professor Carlos Chagas Filho (1910-2000), fundador do instituto: "A universidade deve ser uma instituição de pesquisa, porque pesquisa ensina abordando os problemas essenciais para cada região e abrindo horizontes para o mundo". Ele criticou a descontinuidade e a diminuição de recursos para a pesquisa, que, em sua avaliação, reduziram o status da ciência brasileira, e manifestou apoio total à homenagem aos biofísicos no Dia Nacional do Físico.
— Vejo como uma ação concreta no sentido de valorizar e reconhecer o trabalho desse profissional e a importância da ciência brasileira na área da biofísica. Iniciativa dessa natureza contribui, ainda, para inspirar novas gerações — explicou.
No mesmo sentido, o professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), Paulo Sérgio Lacerda Beirão considera que o reconhecimento aos profissionais contribuirá para a formação de novos pesquisadores.
— Temos que atrair o interesse da juventude para a ciência e para a tecnologia, criando perspectivas de carreiras produtivas em benefício de nossa sociedade.
Ele lamentou o processo de desindustrialização do Brasil, associou o desenvolvimento econômico e social do país ao investimento em inovação baseada em ciência, e chamou atenção para o desafio da formação sólida e multidisciplinar dos biofísicos.
— A biofísica, por lidar com fenômenos físicos associados à vida e à saúde e também com o impacto das tecnologias físicas sobre a saúde, vai ter um papel muito importante.
Por sua vez, Rosangela Itri, presidente da Sociedade Brasileira de Biofísica (SBBf), lembrou que a entidade, fundada em 1936, foi a primeira sociedade de ciências fundada no Brasil, e o Programa de Pós-Graduação em Ciências Biológicas com especialização em biofísica foi responsável pela emissão do primeiro título de doutor na UFRJ. Para ela, o reconhecimento pelo Legislativo contribuirá para mostrar à sociedade a importância dessa disciplina.
— Estamos muito entusiasmados com a [...] possibilidade que abre para nossos estudantes, de serem reconhecidos — disse a pesquisadora.
Vagner Roberto Antunes, chefe do Departamento de Fisiologia e Biofísica do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP), citou avanços realizados por biofísicos que repercutem diretamente no bem-estar da população e, avaliando o retorno às aulas presenciais depois da pandemia de covid-19, notou o aumento do interesse dos alunos pela biofísica.
— Vimos a exposição que a ciência teve e como ela respondeu de maneira eficaz e rápida no desenvolvimento de vacinas e no reposicionamento de fármacos. Isso somente acontece e aconteceu devido ao desenvolvimento tecnológico da biotecnologia e da nanotecnologia.
Durante a audiência, o senador Marcos Pontes também citou o esforço para enfrentamento da covid como sinal da contribuição dos biofísicos para a sociedade. Ele defendeu o empreendedorismo tecnológico e a aumento gradual do financiamento do setor de ciência e tecnologia e, citando sua própria experiência no espaço, sublinhou que o papel da biofísica se tornará cada vez mais importante na análise da fisiologia humana em voos de longa duração.
— Isso é sempre importante para o desenvolvimento desse setor, que vai crescer muito com o desenvolvimento de todas as tecnologias associadas como a nanotecnologia. Só vejo um futuro brilhante para esse lado — declarou.
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