
O senadorHumbertoCosta(PT-PE) destacou, em pronunciamento no Plenário nesta quinta-feira (3), a importância da cota de tela parafilmes brasileiros como forma de proteção do cinema nacional. A cota de tela obriga as empresas exibidoras a incluir em sua programação obras cinematográficas brasileiras de longa-metragem para "devolvê-las ao cenário de destaque, relevo e impulsionamento que merecem", defendeu o parlamentar.
O senador destacou que a cota de tela é o mais antigo e experimentado mecanismo de proteção para os filmes nacionais, e sua ausência pode levar a um declínio ainda maior da relevância do cinema brasileiro. Ele destacou a necessidade da aprovação de uma nova lei que incorpore as mudanças ocorridas no mercado e uma instrução normativa para adequar a cota às necessidades do setor.
— Não é aceitável que um país que tenha um setor audiovisual tão pujante e criativo como o nosso, com tantos talentos e tão espetaculares produções, possa assistir a seus filmes sendo exibidos nos cinemas em horários anteriores às 4h da tarde, quando as salas ficam praticamente às moscas. É um desprestígio, uma verdadeira agressão tratar o que é nosso, a nossa cultura, com tanto desprezo, com tanto desdém, ao passo em que o cinema hollywoodiano, em especial, ocupa massivamente todos os espaços nobres, deixando às produções brasileiras apenas o sobejo dos seus horários de funcionamento, sem que haja qualquer regra de proteção ao conteúdo de origem nacional — afirmou.
Humberto ressaltou que o audiovisual e o cinema brasileiros passam por um momento delicado, que foi ainda mais acentuado depois do fechamento de salas durante a pandemia. O senador apontou que, no primeiro semestre deste ano, os filmes brasileiros atingiram menos de 1% do público total dos cinemas no Brasil, enquanto osblockbustersdominavam o mercado.
Nas últimas semanas, observou o parlamentar, houve disputa de público entre os filmes norte-americanosBarbieeOppenheimer, fenômeno batizado de "Barbenheimer". Ele lamentou o fato de que, enquantoBarbiebate recordes de audiência e arrecadou mais de 160 milhões em ingressos, tornando-se a maior bilheteria do ano e a maior da história da Warner Bros.no país, o cinema nacional tem tido pouca acolhida. Para Humberto, é hora de refletir sobre a prioridade dada ao audiovisual no país e implementar mecanismos de incentivo para promover e estimular a indústria nacional.
— Essa é a prioridade que damos ao nosso audiovisual? É esse o olhar que teremos sobre ele, seguindo a submetê-lo a uma concorrência feroz e desproporcional, sem qualquer mecanismo de incentivo que o promova e o estimule, como fazem os países empenhados em valorizar a sua cultura? Penso que podemos pegar esse cenário extremamente simbólico para torná-lo como exemplo necessário a uma verdadeira indução pelo Estado para a preservação e o reflorescimento da nossa indústria do audiovisual — disse.
Senado Federal Damares cobra implementação de cadastro de predadores sexuais
Senado Federal Magno Malta pede urgência para projeto que regulamenta ensino domiciliar
Senado Federal Sessão solene aponta evolução do Corpo de Bombeiros do DF em 170 anos Mín. 23° Máx. 32°