
Sazonalidade das safras, políticas de exportação e mudanças na demanda influenciam diretamente o custo de produtos essenciais, como arroz, feijão, carne bovina e café. Para o consumidor, a oscilação reflete no orçamento mensal. No caso do varejo, as mudanças nos preços também representam um desafio de adaptação.
Um estudo da Conta Simples/Visa mostra, por exemplo, que 7,5 milhões de empresas no Brasil ainda usam cadernos no dia a dia da gestão financeira, mesmo com a existência de opções mais modernas e eficientes. Na visão de Edson Silva, fundador da Nexxera (ecossistema de soluções financeiras e mercantis, como pagamentos, cobranças, supply chain e crédito para negócios), é justamente neste ponto que a inovação se torna necessária.
"Oscilações de preços podem estimular o consumo, mas só geram valor sustentável quando acompanhadas de eficiência. Indústria e varejo precisam responder com processos ágeis, integrados e capazes de transformar o aumento de demanda em novas oportunidades de negócios", destaca.
Silva reforça que o lojista precisa ter fôlego financeiro para investir mais em estoque quando a demanda aumenta ou suportar a intempérie quando as vendas caem. "É aí que entra a inteligência na gestão de pagamentos — alongar prazos quando necessário, mantendo o dinheiro rendendo por mais tempo, sem prejudicar o fornecedor. Esse equilíbrio é o que permite reagir rápido e com sustentabilidade", pontua o executivo.
Ele explica que soluções de supply chain finance e embedded finance têm ganhado força como diferenciais estratégicos. O primeiro termo abrange instrumentos financeiros e tecnológicos que otimizam o capital de giro e melhoram o fluxo de caixa de empresas de uma cadeia de fornecimento. Em resumo, é uma forma de o fornecedor receber antes e o comprador pagar depois. Já embedded finance diz respeito a serviços financeiros, como o crédito, integrados em produtos ou instituições não financeiras.
"Na prática, imagine que o preço do azeite caiu de forma repentina. O consumidor vai aproveitar essa oportunidade, e o varejista precisa colocar o produto na gôndola rapidamente. Mas ele pode não ter caixa disponível para essa compra maior. É aí que a tecnologia faz a diferença: ele consegue alongar o prazo de pagamento e preservar seu capital de giro, enquanto o fornecedor pode antecipar recebíveis sem impactos negativos", exemplifica Silva.
Essa abordagem reduz custos, simplifica operações e amplia a competitividade, ao mesmo tempo em que libera tempo e recursos para que o varejo mantenha o foco em sua principal missão: atender ao consumidor com eficiência, acrescenta o executivo.
Silva explica que a Nexxera desenvolveu um portal de fornecedores no qual o varejista tem controle da operação, de ponta a ponta. Nele, o fornecedor atualiza o cadastro de produtos, o pedido é feito e acompanhado em tempo real e até a entrega na doca pode ser agendada e gerenciada direto na plataforma.
"De uma forma geral, a automação evita retrabalho, erros manuais e problemas fiscais, ao mesmo tempo em que oferece uma visão 360º do caixa, dando mais segurança para as decisões do dia a dia", sublinha Silva.
Mas dados por si só não resolvem, alerta o executivo. Na sua visão, é preciso manter um relacionamento transparente com os fornecedores e gerenciar de forma eficiente todos os processos, do pedido até a entrega e pagamento, permitindo que o varejo reaja rapidamente às oscilações de preços sem comprometer o fluxo de caixa.
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