
A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) aprovou nesta terça-feira (18) o adiamento, por 30 dias, da análise de dois projetos com possíveis impactos fiscais. Os pedidos foram feitos pelo líder do governo no Senado, senador Jaques Wagner (PT-BA).
Foram retirados de pauta o PL 3.670/2023 , que isenta os trabalhadores já aposentados do recolhimento do FGTS e da contribuição previdenciária; e o PL 2.838/2020 sobre a ampliação de benefícios fiscais para empresas que investirem em pesquisa e desenvolvimento tecnológico por meio da chamada “Lei do Bem” ( Lei 11.196, de 2005 ).
De acordo com Jaques Wagner, as mudanças na Lei do Bem devem ter impacto de R$ 30 bilhões. Já o não recolhimento de previdência dos trabalhadores aposentados teria impacto de cerca de R$ 70 bilhões.
Ao pedir o adiamento das votações, o senador justificou que o governo e o Congresso ainda negociam e buscam alternativas para a compensação financeira da desoneração da folha de pagamentos dos municípios. Jaques será o relator de um projeto que reunirá as medidas financeiras necessárias para viabilizar a prorrogação da desoneração até 2027, aprovada pelo Congresso no ano passado.
— Nós ainda não resolvemos um problema, estamos colocando outro. Então não estou sendo contra por enquanto, eu quero só tempo para resolver um problema e depois a gente discutir os outros. É esse o meu ponto de vista, por isso eu pedi o requerimento de adiamento. Eu peço vênia aos meus colegas. Não é para procrastinar, é para a gente não acumular problema — afirmou.
Ele recebeu o apoio dos senadores Oriovisto Guimarães (Podemos-PR) e Alessandro Vieira (MDB-SE), que mencionaram a situação fiscal do país e a necessidade de rever despesas e renúncias fiscais.
Relator do projeto que altera a Lei do Bem, o senador Izalci Lucas (PL-DF) fez um apelo ao governo para a aprovação do texto e o apoio na área de inovação às pequenas e microempresas. Segundo ele, a proposta representa um “investimento” e não uma despesa.
— Para cada R$ 1 investido, nessa Lei do Bem, retornam R$ 5. Então, eu não sei, não sei sinceramente, onde o governo acha tanto impacto quanto a isso — disse Izalci.
Na mesma linha, a senadora Margareth Buzetti (PSD-MT), relatora da proposta sobre os aposentados, cobrou o governo sobre o cálculo de impacto mencionado por Jaques Wagner. Segundo ela, o número estimado, na casa dos R$ 70 bilhões, é “absurdamente maior” do que a realidade.
Senado Federal Uso responsável do plástico favorece desenvolvimento, afirmam debatedores
Senado Federal CAE vota pedidos de financiamento internacional para fundos regionais
Senado Federal Em ano eleitoral, votação da LDO de 2027 pode acontecer só em agosto Mín. 23° Máx. 30°