Educação JUSTIÇA DO TRABALHO
Pedreiro que fez a própria defesa no TRT-11 ganha bolsa integral para cursar Direito em Manaus
Edilson Takahara impressionou os desembargadores da 2ª Turma ao usar o jus postulandi; repercussão da sustentação oral rendeu bolsa integral em faculdade de Manaus
03/09/2026 18h15
Por: Equipe Claudio Fonte: TRT-11 (Coordenadoria de Comunicação Social) e Portal do Holanda

Um pedreiro de 49 anos, morador de Manaus, virou notícia nacional depois de fazer sozinho sua própria defesa em um julgamento no Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT-11) — e sair de lá não só com o reconhecimento do vínculo empregatício que buscava, mas também com uma bolsa integral para cursar Direito.

Segundo informações divulgadas pela Coordenadoria de Comunicação Social do TRT-11, Edilson Takahara foi o primeiro trabalhador a fazer sustentação oral perante a 2ª Turma do tribunal usando o chamado jus postulandi, mecanismo previsto no artigo 791 da CLT que permite a qualquer trabalhador atuar em causa própria na Justiça do Trabalho, sem a obrigatoriedade de advogado. O caso girava em torno do reconhecimento de vínculo empregatício com uma construtora, referente ao período entre setembro de 2023 e abril de 2024.

Sem qualquer formação jurídica, Edilson relatou ter estudado a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) por conta própria, adquirido computador e certificado digital e redigido sozinho suas peças processuais, incluindo contrarrazões e recurso. Durante os dez minutos de sustentação oral, ele rebateu a tese de que seria um trabalhador autônomo descrevendo a rotina em um edifício de 15 pavimentos, com acesso por cordas e sob orientação direta de engenheiro e encarregado da obra.

O relator do processo, juiz do Trabalho Sandro Nahmias Melo, destacou o caráter historicamente acessível da Justiça do Trabalho e o direito do trabalhador de sustentar oralmente sua própria causa. Ao final do julgamento, a Segunda Turma negou os recursos de ambas as partes e manteve a sentença que já havia reconhecido o vínculo empregatício, condenando a empresa ao pagamento de aviso-prévio, 13º salário, férias e multa, em condenação fixada em cerca de R$ 21 mil.

Um vídeo da sustentação oral viralizou nas redes sociais e chamou a atenção de uma faculdade de Manaus, que convidou Edilson para um bate-papo com estudantes de Direito sobre acesso à Justiça e cidadania — encontro em que recebeu a notícia da bolsa integral para cursar a graduação, segundo apurou o Portal do Holanda. O benefício, que pode representar mais de R$ 150 mil ao longo de cinco anos, também repercutiu em outros veículos de imprensa nas últimas horas. Edilson afirma que ainda está assimilando a repercussão, mas já se prepara para iniciar os estudos na área que passou a admirar ao lutar pelos próprios direitos.