Quando o Estado subsidia produções culturais privadas com recursos fiscais em um contexto de graves déficits de infraestrutura sanitária, ele certamente está promovendo uma forma de malinvestment.
E o que é esse tal de malinvestment ? A própria palavra entrega, mas em termos conceituais seria, segundo Mises: o crédito (ou subsídio) fácil, geralmente advindos do governo, que financiam projetos privados que não foram validados pelos consumidores. De outra maneira, são investimentos direcionados para usos economicamente insustentáveis porque os sinais de mercado foram distorcidos.
Esses projetos não são financiados pela preferência direta dos consumidores, mas por decisões políticas, deslocando recursos escassos que poderiam gerar benefícios sociais mais imediatos e mensuráveis, como saneamento e prevenção de doenças.
Hoje mais de 60% da população brasileira enfrenta problemas de saneamento básico que geram uma relação de causalidade imediata com problemas de saúde pública.
Obviamente 7 milhões e meio não resolve esse problema gigantesco e velho de nosso país, até porque mesmo nessa aplicação que eu particularmente entendo ser mais urgente, ela não estaria imune a outro problema que é a má alocação de recursos, ou seja, o dinheiro público será mal aplicado do mesmo jeito.
Porém a régua é diferente. De um lado temos revolucionários narcisistas do Leblon (ou de Los Angeles) que pararam no tempo e ficam requentando a mesma marmita pra sinalizar virtude e mostrar que estão "do lado certo da história", do outro temos milhões de brasileiros que comem e dormem no mesmo lugar em que cagam. Então se for pra desperdiçar dinheiro público, que seja ao menos para ajudar quem literalmente está na merda.