Nancy Fraser levanta uma crítica sofisticada, mas parte de um erro conceitual básico. Ela mistura produção econômica, relações familiares, natureza e funções do Estado como se tudo fosse “custo oculto do capital”.
Isso é confusão de categorias. Capitalismo, no sentido econômico, é apenas um sistema de trocas voluntárias e cálculo de preços.
Logo, cuidado doméstico é esfera privada, não produção mercantil não paga. Infraestrutura é função do Estado, não do mercado. Colonialismo é fenômeno histórico anterior ao capitalismo moderno. Exploração de recursos ocorre em qualquer sociedade industrial, inclusive socialistas.
Quando se coloca tudo isso na conta do capital, a conclusão já vem pronta: o mercado “não cria riqueza”. Isso é basicamente uma visão de soma zero aplicada à economia.
O problema é que a história mostra o contrário. A renda real, a expectativa de vida e a produtividade cresceram enormemente nos últimos dois séculos. Isso não é redistribuição, é criação líquida de riqueza. A crítica vira filosofia moral, não economia.