Entretenimento Em Dia com o dia
Organizando o amor
Numa gestão mais moderna
25/01/2026 08h26
Por: Redação


" Só dispõe do amor dos outros, quem é senhor do seu" ( Eliphas Levy)

Amor deveria ser mais organizado, vir em catálogos, prateleiras no shopping. Vitrines decoradas. Vendido em lojas, tipo:
-          Moço, eu quero aquele ali!
-       Moça,  aquele é muito caro, é Amor a Primeira Vista, tente um a prestação. Pagando aos poucos, a senhora pode enganá-lo não mostrando um defeito, um dia ele se acostuma com a senhora e se torna seu.
-          Ah, assim eu não quero! Quero espontâneo, porque meus defeitos saltam aos olhos, eu sou desavisada de gestos e palavras.
-          Então não dá mesmo para a senhora. Ele é muito voluntarioso, não admite nada fora do lugar, a senhora iria se endividar a toa... Eu nem poderia dizer para a senhora porque sou vendedor, mas estou me antecipando ao problema... Só de lhe ver, pela minha experiência no ramo, a senhora traria conflitos, e a gente não facilita com esse produto...
-          O senhor está me rotulando?
-          Não é isso! Eu conheço a ansiedade de quem quer viver amor caro, raro... Vá por mim, disso eu entendo...
-          O senhor não entende! Eu só quero o que não posso ter! Que mal há nisso?
-          Insatisfação do cliente e do produto. Olha, eu tenho uma idéia, compre um Kit Solidão novo, já vem com livro de auto-ajuda, caixa de lenço, máscara para olheiras depois do choro, almofada para descanso da dor de cotovelo, links para novos amigos na internet, com um mouse pad escrito "O passado não tem nenhum poder sobre mim" e um CD de meditação... Tá em promoção, baratinho, sai muito!

-          Então moço, compre um para o senhor, que preenche seu vazio com sentimentos alheios... Eu prefiro ficar com a minha solidão velha. Pelo menos ela já conhece as músicas que eu gosto, o porre que eu agüento e a tristeza que me assola. Posso até chorar que ela não vai embora e não conta nada para ninguém... É porque intimidade tem esse problema__ e as vezes a fofoca dói mais do que a dor. 
Eu sei que aqui não aceita usados, mas é para o senhor... Tome, é a minha esperança, eu não vou mais poder usá-la, a experiência triunfou primeiro, é sua, eu dou para o senhor. Afinal a esperança é a última que vende, mas é a primeira que chega para nos enganar... 
E sairia da loja com o bolso intacto, o coração em débito, mas muito tranqüila com a lição aprendida_ e na saída da loja, ao olhar para o céu, com amor próprio renascido, a ficha caiu, compreendeu que ele jamais poderia sobreviver em prateleiras: 
O Amor, como as estrelas, é livre, se organiza sozinho na exata aparente desorganização das constelações, quando verdadeiro, brilha e guia rotas, desce do céu realizando desejos, 
não se vende porque não se toca, mas é acessível ao sentido.
 "A força que guia as estrelas, guia você também"
 (Shrii Shrii Anandamurti)