Metade do mundo são mulheres. A outra metade, os filhos delas.âÂ
(Efu Nyaki)Para falar da revolução que há duas semanas invadiu ruas do Irã – liderada por mulheres que sofrem o julgo masculino de uma ditadura brutal e posse do corpo e pensamento feminino, subo a montanha da poeta indiana Rupi Kaur:
"Eu me apoio no sacrifício de um milhão de mulheres que vieram antes de mim e penso: o que posso fazer para tornar esta montanha mais alta para que as mulheres que vierem depois de mim possam enxergar mais longe?"
Rupi Kaur é uma poetisa, artista e performer. Ela também foi considerada a "escritora da década" pela New Republic e reconhecida na lista Forbes 30 - under 30. Rupi Kaur ganhou destaque nos últimos anos por meio das redes sociais. Sua escrita simples, profunda, sincera e intimista, toca em pontos importantes para as mulheres: comportamento, idade, auto-estima, solidão, independência e feminicídio, para citar alguns. Hoje subo a montanha de letras com a bandeira das iranianas citando essa mulher incrível. E lembrando que no Brasil também temos montanha para escalar no combate aos números crescentes de feminicídios. Homens que odeiam mulheres e as matam em nome do amor.
Pode o amor ser tão cruel?
Do ponto de vista dos posseiros do corpo e sentimento alheio, sim, pode! É preciso subir a montanha das suas redes sociais e contribuir para expor um covarde e abusador. Um Like seu já auxilia. Não precisa deixar de curtir os cosméticos da Virgínia ou a música da Anitta – se for sua rotina – mas estende seu tempo e curte, comenta e compartilha esse momento revolucionário das mulheres iranianas. E claro, das brasileiras, africanas, asiáticas… não é mais sobre raça e cor da pele, é sobre vidas!
Que feminino tão ferido possuem esses homens de chagas abertas que precisam fazer sangrar quem já sangra no parto parindo filhos dessas criaturas?
E finalizo minha reflexão ainda com Rupi Kaur:
"Quero pedir desculpa a todas as mulheres que descrevi como bonitas antes de dizer inteligentes ou corajosas. Fico triste por ter falado como se algo tão simples como aquilo que nasceu com você, fosse seu maior orgulho, quando seu espírito já despedaçou montanhas. De agora em diante vou dizer coisas como, “você é forte” ou “você é incrível!”, não porque eu não te ache bonita, mas porque você é muito mais do que isso... ...Não me chame de bonita / meu espírito esmagou montanhas!" – e esperamos que mais que escalar ou despedaçar as montanhas de covardia e preconceitos a gente possa construir pontes para o desfile glorioso da coragem feminina.“Cada mulher carrega dentro de si a história de todas as mulheres. Tornar-se consciente disso é o primeiro passo da libertação.” (Nise da Silveira)