No coração da Amazônia, um movimento promissor está redefinindo o futuro dos bionegócios, impulsionando a economia local e promovendo a inclusão social. O projeto Base Design, uma iniciativa da Torres Produções, surge como um elo estratégico para conectar a riqueza da biodiversidade amazônica – em alimentos, bebidas, fibras, óleos e fitoterápicos – a mercados globais. Com uma abordagem que une a presença em eventos internacionais e uma plataforma digital inovadora, a iniciativa não apenas abre portas comerciais, mas também valoriza os povos originários e fomenta trocas culturais significativas. Este esforço colaborativo já chama a atenção de especialistas e investidores, destacando-se pela inovação, sustentabilidade e impacto socioeconômico.
O Base Design, idealizado pela Torres Produções, representa um marco na estratégia de internacionalização dos bionegócios amazônicos. A proposta é ambiciosa e multifacetada, combinando a visibilidade de stands em eventos internacionais com a eficiência de uma plataforma digital. Essa plataforma, em particular, promete revolucionar as transações comerciais ao oferecer tradução simultânea, facilitando a comunicação e quebrando barreiras linguísticas entre produtores amazônicos e compradores globais. O foco em produtos como alimentos, bebidas, fibras, óleos e fitoterápicos reflete a vasta riqueza natural da região e o potencial de agregação de valor a esses recursos de forma sustentável.
Um dos pilares dessa iniciativa é a atuação de Maria Luiza Knoblach, uma brasileira que está desbravando o mercado do Oriente Médio a partir de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Maria Luiza, com sua expertise e visão estratégica, trabalha em estreita colaboração com a equipe do Base Design para estabelecer um projeto piloto com 10empresas da Amazônia. Essas empresas, já em processo de curadoria, representam a vanguarda dos bionegócios da região, com produtos de alto potencial para o mercado internacional. A presença de Maria Luiza em Dubai não é apenas uma questão de expansão comercial, mas um testemunho do potencial global da bioeconomia amazônica e da capacidade de empreendedores brasileiros em conquistar novos horizontes. Como ela mesma afirma, o potencial do projeto é enorme por tratar com dignidade e inclusão os povos originários e promover trocas culturais para além dascomerciais, um aspecto crucial para o reconhecimento do projeto que valorizam oimpacto social e a sustentabilidade.
Outro personagem central nesta narrativa de sucesso é Valdecio Pittch, CEO da Kardume Pescado, uma empresa que se destaca no beneficiamento e exportação de pescado amazônico. Aos 54 anos, Pittch lidera a Kardume no desenvolvimento de processos inovadores para a exportação de peixes como o tambaqui e, principalmente, o pirarucu.
Além do foco em produtos alimentares, a Kardume vai além, desenvolvendo projetos de aproveitamento do couro, escamas e outros subprodutos dos peixes. Essa visão de economia circular confere à empresa um enorme potencial para fornecer matéria-prima para indústrias de moda internacionais, agregando valor a cada parte do peixe e minimizando o desperdício. A atuação da Kardume exemplifica como a inovação e a sustentabilidade podem andar de mãos dadas, transformando recursos naturais em oportunidades de negócio e gerando impacto positivo para a região.
A bioeconomia na Amazônia representa um novo horizonte econômico sustentável, com potencial para gerar renda e combater a pobreza na região. Estudos indicam que a Amazônia Legal tem condições de escalar seus bionegócios para o Brasil e o mundo [2].
A riqueza da biodiversidade amazônica, aliada ao conhecimento tradicional das comunidades locais, oferece uma base sólida para o desenvolvimento de produtos inovadores e de alto valor agregado. A exportação de produtos amazônicos, como açaí, castanha-do-pará, óleos essenciais e fitoterápicos, tem crescido, demonstrando a demanda global por esses recursos [3].
O impacto socioeconômico desses bionegócios é significativo. Eles promovem a geração de renda e emprego em comunidades ou entre populações vulneráveis, incentivando a inclusão produtiva e o desenvolvimento territorial [4]. Ao valorizar o uso sustentável dos recursos naturais e reconhecer os direitos das comunidades tradicionais, os bionegócios contribuem para a construção de uma economia inclusiva que produz benefícios sociaise ambientais [5]. O projeto Base Design, ao focar na conexão desses bionegócios com mercados globais, amplifica esse impacto, garantindo que os benefícios cheguem diretamente aos produtores e às comunidades que vivem em harmonia com a floresta.
O projeto Base Design da Torres Produções é um exemplo inspirador de como a inovação e o empreendedorismo podem impulsionar a bioeconomia na Amazônia, gerando valor econômico, social e ambiental. Ao conectar os bionegócios da floresta com o mundo, a iniciativa não apenas cria novas oportunidades comerciais, mas também fortalece as comunidades locais, valoriza o conhecimento tradicional e promove um modelo de desenvolvimento verdadeiramente sustentável. A história de Maria Luiza Knoblach e Valdecio Pittch são testemunhos do potencial humano e da riqueza natural da Amazônia, que, juntos, podem construir um futuro mais próspero e equitativo para a região e para o planeta.
Referências
[1] Dados de fevereiro de 2025 do Painel de Empresas DataSebrae, com base nas informações da Receita Federal. [2] Governo Federal lança iniciativa para desenvolver saúde, bioeconomia e ciência na Amazônia. Disponível em: https://www.gov.br/mdic/pt-br/assuntos/noticias/2024/marco/bioeconomia-da-amazonia-legal-tem-potencial-
mundial-aponta-estudo-contratado-pelo-mdic [3] Oportunidades para Exportação de Produtos Compatíveis com a Floresta na Amazônia Brasileira. Disponível em: https://amazonia2030.org.br/wpcontent/uploads/2021/04/AMZ2030-Oportunidades-para-
Exportacao-de-Produtos-Compativeis-com-a-Floresta-na-Amazonia-Brasileira-1-2.pdf
[4] BID Lab promoverá bionegócios na Amazônia. Disponível em: https://www.iadb.org/pt-br/noticias/bid-lab-promovera-bionegocios-na-amazonia [5] Bioeconomia pode gerar renda e combater pobreza na Amazônia. Disponível em: https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/89317217/bioeconomia-pode-gerar-renda-e-combater-pobreza-na-Amazônia