Meio Ambiente Especial Ambiental
Água - O Avanço da Infraestrutura e os Desafios do Abastecimento e Saneamento em Manaus
Um desafio que afeta toda a sociedade.
03/06/2025 16h15 Atualizada há 1 ano
Por: Redação
Assessoria - Águas de Manaus
Manaus enfrenta uma batalha silenciosa, mas vital: a busca pela universalização do saneamento básico. Em uma cidade marcada por contrastes geográficos e sociais, garantir o acesso à água potável e à coleta e tratamento de esgoto é um desafio monumental, mas também uma promessa de transformação na qualidade de vida de mais de dois milhões de habitantes. Desde 2018, com a atuação da concessionária Águas de Manaus, a capital amazonense tem testemunhado investimentos significativos que buscam reverter um histórico de carência em infraestrutura sanitária, ao mesmo tempo em que lida com as complexidades inerentes à expansão desses serviços em um ambiente urbano singular.
Os números apresentados pela concessionária indicam um esforço concentrado. Nos últimos sete anos, mais de R$ 1,5 bilhão teriam sido injetados no sistema de água e esgoto da cidade, colocando Manaus, segundo a empresa, como a sexta capital brasileira em volume de investimentos no setor. Esse aporte financeiro se traduziu, primeiramente, na expansão do acesso à água tratada. A empresa afirma ter alcançado a universalização do serviço em 2023, levando água encanada para mais de 2 milhões de pessoas. Para isso, informa ter construído mais de 200 quilômetros de novas redes, priorizando áreas historicamente negligenciadas, como becos, comunidades em áreas de rip-rap e palafitas.
 
 
Esse avanço rendeu reconhecimento externo. O Instituto Trata Brasil, em seu “Ranking do Saneamento”, apontou Manaus como a cidade brasileira que mais evoluiu no atendimento de água tratada desde 2018. A capital amazonense também figura, segundo a concessionária, como a terceira capital com maior índice de redução de perdas de água, um indicador crucial de eficiência na gestão do recurso.
 
A resiliência do sistema de abastecimento foi posta à prova durante a severa estiagem que atingiu a região em 2023 e 2024, conforme detalhado no capítulo anterior desta série. A Águas de Manaus relata que, mesmo durante a maior seca registrada nos últimos 120 anos, a cidade não sofreu desabastecimento generalizado. Ações emergenciais, como o rebaixamento de bombas de captação a níveis inéditos e a instalação de bombas anfíbias capazes de acompanhar a variação do nível do rio, foram cruciais para manter o fluxo de água para a população, segundo a empresa.
 
 
Contudo, o cenário do esgotamento sanitário apresenta um desafio ainda maior. Embora o abastecimento de água tenha alcançado a universalização, a cobertura de coleta e tratamento de esgoto em Manaus ainda está em processo de expansão, ultrapassando atualmente os 34%, de acordo com a concessionária. O programa “Trata Bem Manaus” é a principal aposta da empresa para acelerar essa cobertura, com a meta ambiciosa de universalizar o serviço, novamente com um olhar voltado às áreas mais vulneráveis.
 
Um exemplo emblemático desse esforço é o projeto implementado no Beco Nonato, uma comunidade de palafitas no bairro Cachoeirinha. O local se tornou, segundo a Águas de Manaus, a primeira área de palafitas do Brasil a receber uma estrutura completa de coleta e tratamento de esgoto. As obras, iniciadas em 2023, entraram em operação no início de 2024. Moradores ouvidos pela assessoria da empresa já relatam melhorias na qualidade da água do igarapé que corta a comunidade, uma mudança que impacta diretamente a saúde e a dignidade dessas famílias.
 
 
Os planos futuros são audaciosos: a concessionária prevê investir mais R$ 2 bilhões nos próximos anos, majoritariamente direcionados à expansão do sistema de esgoto. Isso inclui a implantação de mais de 2,7 milhões de metros de novas redes coletoras e a construção de mais de 70 novas Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs).
Paralelamente aos esforços da iniciativa privada, o poder público também atua no monitoramento da qualidade dos corpos hídricos. O Programa de Estímulo à Divulgação de Dados de Qualidade de Água (Qualiágua), uma iniciativa da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) executada no estado pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amazonas (SEMA) desde 2020, busca justamente padronizar e dar publicidade aos dados de monitoramento. O Amazonas, que em 2012 tinha um monitoramento considerado inexistente ou não consolidado pela ANA, aderiu ao programa com a meta inicial de monitorar 121 pontos até 2025. Segundo a SEMA, o programa já monitorava 198 pontos em 2023, superando metas intermediárias, apesar dos desafios logísticos da região e dos impactos da pandemia. Esses dados, integrados à Rede Nacional de Monitoramento da Qualidade das Águas (RNQA), são fundamentais para avaliar o impacto das ações de saneamento e orientar políticas públicas.
 
 
No entanto, a expansão da infraestrutura, por si só, não garante a solução completa. A Águas de Manaus aponta que o maior desafio atual reside na adesão da população ao sistema de esgoto. De nada adianta construir milhões de metros de redes coletoras e dezenas de ETEs se os imóveis não se conectarem à rede. A empresa enfatiza que os benefícios plenos do saneamento – como a melhoria da saúde pública, a preservação ambiental, o fomento ao turismo e a valorização imobiliária – só serão alcançados quando o sistema estiver em pleno funcionamento, o que depende intrinsecamente da participação dos moradores.
 
Apesar desse desafio, alguns impactos positivos já são mensuráveis, segundo dados fornecidos pela concessionária e atribuídos à Fundação de Vigilância em Saúde Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP). A empresa destaca uma redução de 88% nos casos de Hepatite A entre 2018 e 2024. Menciona também uma queda nos índices de diarreia, embora a referência temporal para este dado (janeiro de 2025 comparado a janeiro de 2024, conforme material da assessoria) necessite de confirmação. Essas melhorias coincidiriam com a expansão dos serviços de água e esgoto na capital.
Além dos impactos na saúde, a chegada da infraestrutura de saneamento trouxe outros benefícios sociais. Em muitas comunidades, a instalação das redes de água foi a porta de entrada para a cidadania, permitindo que moradores obtivessem, pela primeira vez, um comprovante de residência. Ciente da realidade socioeconômica de parte da população, a concessionária implementou tarifas sociais (Manauara e Tarifa 10), que hoje beneficiam mais de 130 mil famílias, buscando garantir o acesso à água como um direito fundamental.
 
 
Manaus avança, portanto, em uma frente crucial para o seu desenvolvimento sustentável. A universalização da água é um marco significativo, mas a jornada do saneamento, especialmente no que tange ao esgotamento sanitário, ainda exige a superação de obstáculos técnicos, geográficos e, sobretudo, culturais. A transformação completa da paisagem sanitária da capital amazonense dependerá da continuidade dos investimentos em infraestrutura, do fortalecimento do monitoramento ambiental por órgãos públicos e, fundamentalmente, da conscientização e engajamento da população em conectar-se à rede que promete um futuro mais saudável e digno para todos.