A recente indicação de que o ex presidente da Câmara de vereadores de Manaus Caio André para a pasta da Cultura mobilizou o meio artístico em Manaus. Com muitas manifestações negativas quanto a passagem do cargo para alguém "sem perfil técnico", apesar de que o ex presidente da casa já ter declarado que vem do samba e do pagode.
mora Loren Lunière, conselheira municipal do setor musical e produtora cultural "A mobilização dos artistas e fazedores de cultura é fundamental para garantir que a Secretaria de Cultura seja gerida por um profissional com conhecimento técnico e experiência em políticas públicas. A cultura é um setor estratégico que exige planejamento, gestão eficiente de recursos e articulação com diferentes esferas de governo. Um gestor sem experiência pode comprometer a continuidade de programas, editais e incentivos fundamentais para a cadeia produtiva cultural do estado. O movimento da classe artística reforça a necessidade de uma gestão qualificada e alinhada às demandas do setor.
Não é de hoje que a cultura no Amazonas vem enfrentando desafios, Para Loren o cenário estadual vem avançando aos poucos, segundo ela "Nos últimos anos, a cultura no Amazonas tem enfrentado oscilações nos investimentos estaduais. Apesar da chegada de recursos federais via leis emergenciais como a Aldir Blanc e a Paulo Gustavo, o orçamento estadual para a cultura não acompanhou esse fluxo na mesma proporção. Além disso, a execução desses recursos tem sido um desafio. A falta de uma política de financiamento contínuo pode prejudicar o fortalecimento do setor, que ainda carece de maior descentralização e acesso a fomento, especialmente no interior do estado."
Para a conselheira municipal a expectativa dos diversos setoriais de cultura diante dos desafios atuais para a produção cultural com a mudança na indicação de perfil técnico para político na SEC é uma ameaça.
"Os diversos setoriais da cultura esperam que a gestão da SEC mantenha um perfil técnico, capaz de dialogar com as especificidades de cada área artística e de garantir políticas públicas eficientes. A mudança para um perfil político gera apreensão, pois pode indicar uma priorização de interesses partidários em detrimento da construção de políticas de longo prazo. A expectativa é que a SEC continue valorizando a participação da sociedade civil e a execução de um planejamento estratégico sólido para o setor. " Complementa ainda que "A possível nomeação de Caio André representa uma mudança de direcionamento na SEC, que pode impactar diretamente a continuidade das políticas culturais. A gestão técnica de Cândido Jeremias vinha garantindo estabilidade e avanço na execução de projetos. A substituição por um gestor sem trajetória na cultura pode enfraquecer as ações da pasta, reduzir a interlocução com a classe artística e comprometer a aplicação de recursos essenciais para a economia criativa do estado."