Era assim que Juarez Lima moldava o mundo: desafiando limites e brincando com o imprevisível.
Foi assim que ele rompeu as amarras tradicionais do Festival de Parintins, levando o boi Caprichoso para uma era de transformação.
Juarez trouxe os metais para a arte parintinense, deixando para trás a idade da madeira que dominava até os anos 80. Com ferro, soldas e uma visão ousada, ele elevou as alegorias a novos patamares, ampliando o espetáculo que se tornou a marca registrada do festival.
Mas seu espírito criativo não se limitava aos bois-bumbás. Em Manaus, Juarez reinventou a fé com a Romaria das Águas. A procissão em honra a Nossa Senhora do Carmo, que ele idealizou, transformou-se em um verdadeiro espetáculo fluvial. Nada de simplicidade: a imagem da santa que ele criou era grandiosa, navegando sobre embarcações monumentais, um reflexo de sua devoção e audácia artística.
Quando me convidou para participar do evento em 2020, percebi que sua visão já ultrapassava o formato tradicional. Ele sonhava com algo épico: uma esquadra inteira cruzando os rios da Amazônia, liderada por um navio principal e acompanhada por embarcações repletas de turistas, devotos e imprensa. Não apenas uma romaria, mas um grande festival de fé e cultura, com direito a um show de Roberto Carlos na Praia da Ponta Negra.
Juarez era assim: um criador de sonhos e realidades monumentais.
Infelizmente, seu último ato não foi no palco amazônico, mas em um cenário internacional. Ele faleceu na Áustria, após um AVC fulminante. Sua vida, até o fim, refletia a grandiosidade de seu espírito: antes de partir, ele deixava sua marca em eventos na Suíça, em um show da cantora Joelma em Portugal e até em uma cachoeira artificial em formato de leopardo, que projetava para uma empresária austríaca.
Juarez Lima, o visionário que transformou a arte em espetáculo, partiu aos 58 anos. Sua vida e obra, no entanto, permanecem imortais, inspirando aqueles que ousam sonhar além do previsível.